Falecimentos no mundo da música Morre em São Paulo, aos 70 anos, o cantor Pena Branca Por: Equipe Music Globe News
Data: 09/02/2010
Nascido em Igarapava, no interior de São Paulo, Pena Branca fazia dupla com o irmão Ranufo Ramiro da Silva, o Xavantinho.
O cantor José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca
O cantor José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, morreu aos 70 anos, após passar mal em casa, no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, por volta das 18h30 desta segunda (8/2).
Nascido em Igarapava, no interior de São Paulo, Pena Branca fazia dupla com o irmão Ranufo Ramiro da Silva, o Xavantinho. Os dois cantavam juntos desde 1962, mas a dupla encerrou a carreira há 10 anos, com a morte de Xavantinho em 8 de outubro de 1999.
Xavantinho, que era natural de Uberlândia (MG), morreu de insuficiência respiratória e falência múltipla de órgãos. A família acredita que ele tenha sofrido um infarto fulminante.
Pena Branca estava sentado na cozinha assistindo um programa de esportes quando passou mal e caiu da cadeira. Na queda, ele chegou a bater a cabeça numa das gavetas da pia.
A mulher correu para ajudar o marido, que estava inconsciente e com a cabeça sangrando. Ela pediu ajuda para vizinhos, que levaram Pena Branca para o Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã. O cantor foi atendido pelos médicos, mas não resistiu.
Encaminhado a um hospital também na Zona Norte da capital paulista, Pena Branca não resistiu. A esposa do músico também teve de ser internada no mesmo hospital, ao saber da morte do cantor, mas foi liberado após ter sido medicado. O corpo de Pena Branca será sepultado no mesmo cemitério onde estão enterrados os corpos da mãe e do irmão do cantor.
Memória
José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, desde pequenos trabalharam na roça com os pais e mais cinco irmãos. Começaram a cantar em 1962, e, em 1968, mudaram-se para São Paulo para tentar a vida artística.
Em 1980 inscreveram-se no "Festival MPB Shell", da TV Globo, com a música "Que terreiro é esse?", de Xavantinho, que foi classificada para a final. No mesmo ano, a dupla lançou o seu primeiro LP: "Velha morada" (Warner), com destaque para "Cio da terra" (Milton Nascimento e Chico Buarque) e "Velha morada" (Xavantinho).
A dupla participou, em 1981, do programa Som Brasil, na TV Globo, apresentado por Rolando Boldrin, com quem atuaram depois em shows pelo Brasil.
Em 1982 lançaram o LP "Uma dupla brasileira", produzido por Boldrin, com os destaques "Memória de carreiro" (Juraildes da Cruz) e "Rama da mandioquinha" (Elpídio dos Santos). Em 1987 lançaram o LP "O cio da terra" (Continental), com participação de Milton Nascimento, Marcus Viana e Tavinho Moura, destacando-se "Vaca Estrela e boi Fubá" (Patativa de Assaré) e "Cuitelinho" (folclore recolhido por Paulo Vanzolini). Em 1988 lançaram o LP "Canto violeiro" (Continental), com participação de Fagner, Tião Carreiro, Almir Sater e outros, contendo "Mulheres da terra" (Xavantinho e Moniz).
Ganharam, em 1990, o Prêmio Sharp de melhor música (Casa de barro, de Xavantinho e Moniz) e melhor disco (Cantado do mundo afora). Em 1992, CDs Renato Teixeira e Pena Branca e Xavantinho – Ao vivo em Tatuí (Kuarup) recebeu o Prêmio Sharp de melhor disco e o Prêmio APCA. Gravaram, em 1993, "Violas e canções" (Velas), destacando-se "Viola quebrada" (Mário de Andrade). Nesse ano, os shows da dupla estenderam-se aos Estados Unidos da América. Ao todo, os irmãos ganharam cinco prêmios Sharp ao longo de sua carreira.
Lançaram ainda "Ribeirão encheu" (Velas), em 1995, com "Luar do sertão" (João Pernambuco e Catullo da Paixão Cearense), e "Pingo d'água" (Velas), em 1996, com "Tristeza do jeca" (Angelino de Oliveira) e "Flor do cafezal" (Luís Carlos Paraná).
A dupla encerrou sua carreira em outubro de 1999, com a morte de Xavantinho. Após a morte do irmão, Pena Branca continuou sua carreira e chegou a ganhar um grammy latino.